Com 4 casos por hora, Ebola é declarado como ‘ameaça à paz mundial’

A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que mais de 700 casos de Ebola surgiram no oeste da África em apenas uma semana. São registrados mais de 4 casos a cada hora, o que mostra que o surto está acelerando. Já o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) declarou ontem o Ebola “ameaça à segurança e à paz mundial”.

Foto: Dominique Faget/AFP

Apenas três semanas atrás, o número de novos casos estava em cerca de 500 no período de uma semana. O número de pessoas que, segundo estimativas, morreram é de atualmente de mais de 2.600, alta de cerca de 200 casos na comparação com a última avaliação, disse a OMS ontem. A maioria das mortes aconteceu na Libéria.

Os novos dados da agência de saúde da Organização das Nações Unidas mostram que a doença pode ter infectado mais de 5.300 pessoas. Pouco mais de metade desses casos foi registrada nas últimas três semanas. O surto atinge a Libéria, Serra Leoa, Guiné, Nigéria e Senegal.

Missão e ameaça. Em nova iniciativa para conter a epidemia, a ONU anunciou ontem a criação de uma missão de emergência – a exemplo das feitas para a manutenção da paz, da qual o Brasil fez parte no Haiti. O objetivo será coordenar os esforços internacionais para lutar contra a enfermidade, segundo afirmou o secretário-geral, Ban Ki-moon, durante reunião do Conselho de Segurança convocada especialmente para debater o problema africano.

O grupo já foi denominado de Missão das Nações Unidas para Resposta de Emergência contra Ebola (UNMEER, em inglês) e se espera que uma equipe avançada siga rapidamente para os países afetados.

O conselho ainda declarou oficialmente ontem que o surto de Ebola se tornou uma ameaça à segurança e à paz mundial e convocou todos os países com recursos e capacidade de auxílio para ajudar no combate à crise. Os 15 integrantes do maior órgão de decisão da ONU também aprovaram uma resolução em que se pede aos Estados “que levantem todas as restrições viagem e de fronteira, adotadas para supostamente combater o surto, mas que na realidade serviram apenas para isolar as áreas atingidas”.

É a terceira resolução vinculada a uma emergência de saúde da história da ONU. As duas anteriores, em 2000 e 2011, foram sobre aids.

Publicado em Estadão.

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