Cientistas brasileiros desenvolvem medicamento que regride tumores mas projeto enfrenta dificuldades

Uma equipe de cientistas do Instituto de Química de São Carlos (IQSC), coordenados pelo professor Gilberto Orivaldo Chierice, desenvolveu uma substância, chamada fosfoetanolamina sintética, que pode ser a resposta para a cura do câncer.

As pesquisas datam da década de 30, quando a fosfoetanolamina foi identificada em tecidos cancerosos em bovinos. Ela também é produzida em nosso organismo dentro das células de músculo longo e no fígado, no retículo endoplasmático. Pesquisas mais recentes relacionam a presença da fosfoetanolamina com a reação do sistema imunológico, na tentativa de localizar e “matar” o tumor. Mas foi apenas na década de 90 que os pesquisadores do IQSC conseguiram fabricar artificialmente a substância em laboratório. Foi através da combinação de dois compostos, a monoetanolamina (utilizada em cosméticos) e o ácido fosfórico (um tipo de conservante).

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Testes em ratos demonstraram a eficácia da fosfoetanolamina sintética no tratamento de tumores, fazendo-os regredir sem prejudicar as células normais. A substância experimental também foi distribuída para pacientes e os resultados impressionam. São vários os relatos de pessoas que fizeram o uso da fosfoetanolamina sintética e obtiveram significativa melhora e, até mesmo, desaparecimento dos tumores.

A animação abaixo demonstra como o fármaco (no caso, a fosfoetanolamina sintética) age no organismo. Após a ingestão, a substância entra em contato com a células cancerígena, fazendo com que a mitocôndria, antes inativa, volte a funcionar. Com isso a célula acaba denunciando que algo está errado com ela, atraindo a atenção do sistema imunológico, que a remove do organismo.

Assista a esta animação feita pelo pesquisadores sobre a ação do medicamento:

No entanto, novas normas da universidade passaram a impedir, desde 2014, que o medicamento experimental fosse distribuído, pois ainda não foi regularizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Isso gerou uma série de debates e vários pacientes precisaram entrar com processos na justiça para continuar com o tratamento. O professor Gilberto Chierice conta que já tentou o registro na Anvisa quatro vezes, mas a Agência pede mais dados clínicos para que o registro seja realizado. Contudo, a equipe de cientistas encontra dificuldades para conseguir autorização para seguir com os experimentos em hospitais.

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) se interessou em testar a substância para registrá-la na Anvisa e produzi-la, mas, segundo os cientistas, uma das condições é que a patente da fosfoetanolamina sintética seja passada para a Fundação. Os pesquisadores, atuais detentores da patente, recusaram por não possuírem garantias de que a fosfoetanolamina sintética seria de fato testada e de que, caso se tornasse um medicamento legalizado, seria distribuída a baixo custo. Segundo o pesquisador Salvador Claro Neto, cada cápsula da substância custa R$0,10 para ser produzida e a equipe fez um acordo para não lucrar com isso.

Gostaríamos que a fosfoetanolamina sintética fosse produzida e disponibilizada pelo SUS. Procuramos os órgãos responsáveis, mas encontramos dificuldades porque não há protocolo clínico”, afirmou Neto ao portal de notícias G1. “Câncer não é para ganhar dinheiro, chega de o câncer enriquecer pessoas, hospitais. […] Se for para haver lucro, que seja pequeno e revertido para a criação de um instituto de pesquisa na área de câncer. Isso seria interessante para o país”, defendeu.

Texto publicado em Diário de Biologia.
Mais informações podem ser encontradas aqui e aqui.

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