Marfim e morte: O fim dos elefantes se aproxima

Majestoso e pacífico, o elefante é venerado como totem em várias culturas da Ásia e da África, traduzindo poder, dignidade, sabedoria, força e prosperidade. A adoração é tamanha que suas grandes e enormes presas brancas de marfim são transformadas em talismãs, amuletos de sorte e esculturas religiosas, artigos vendidos a preço de ouro no mercado negro. Por tudo isso, milhares desses animais não morrem mais de velhice. Eles padecem nas mãos dos homens — e a um ritmo alucinante.

Antes da colonização europeia na África, existiam cerca de 20 milhões de elefantes nas savanas, segundo estimativas científicas. Esse número caiu para 1,3 milhão em 1979. Agora, o mais abrangente censo já realizado sobre a espécie pinta uma realidade ainda mais aflitiva: atualmente, restam apenas 352.271 elefantes-da-savana (Loxodonta africana) nos países estudados. Mantido o ritmo atual de declínio, de 8% ao ano, em 2025 serão apenas 170 mil elefantes, o que torna a extinção local praticamente certa.

Extermínio em massa

Numa demonstração de esforço hercúleo, 286 pessoas a bordo de 81 pequenas aeronaves sobrevoaram cerca de 463 mil km para realizar a mais extensa contagem de elefantes da história. Utilizando métodos de coleta de dados e validação padronizados, os pesquisadores determinaram com precisão o número e distribuição da grande maioria dos elefantes da savana africana, fornecendo uma base incrível para futuras pesquisas e análises de tendências.

Agosto de 1973: caçadores de marfim no Kenya cercam um elefante morto que teve suas presas removidas.

Agosto de 1973: caçadores de marfim no Kenya cercam um elefante morto que teve suas presas removidas | Keystone/Getty Images

Os resultados finais do Grande Censo dos Elefantes (GEC, na sigla em inglês) mostram que a população de elefantes-da-savana diminuiu em 30 por cento (cerca de 144.000 espécimes) entre 2007 e 2014, principalmente devido à caça furtiva.

Oitenta e quatro por cento da população pesquisada foi avistada em áreas legalmente protegidas, enquanto 16 por cento estavam em áreas não protegidas. No entanto, um elevado número de carcaças foram descobertas em muitas áreas protegidas, o que indica que os elefantes não estão seguros nem mesmo onde deveriam estar.

“Se não podemos proteger a maior mamífero terrestre do mundo, o prognóstico para a conservação da vida selvagem como um todo é sombrio”, diz Mike Chase, cientista líder do projeto e fundador de um grupo de conservação de elefantes com sede em Botsuana chamado Elefantes Sem Fronteiras.

O levantamento foi realizado durante três anos, em 18 países da África, representando 93 por cento dos elefantes- de-savana nesses países, e seus resultados foram publicados na revista científica PeerJ. Três países ficaram de fora: a Namíbia, que não quis participar do censo, o Sudão do Sul e a República Centro-Africana, ambos envolvidos em conflitos armados.

Orçado em US$ 7 milhões, esse projeto sem precedentes conta com financiamento do co-fundador da Microsoft e CEO da Vulcan, Paul Allen, que há mais de 20 anos também se dedica à conservação ambiental no continente africano.

Publicado em Exame.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Time limit is exhausted. Please reload the CAPTCHA.

Social Widgets powered by AB-WebLog.com.