Retrocesso ambiental do governo é cada vez mais evidente

Nossa Amazônia vai sofrer mais uma vez com um forte impacto do atual governo federal. Dessa vez, a Reserva Nacional de Cobre e Associados – Renca, foi extinta por uma decisão política. Parece absurdo e é. A área será liberada para a exploração de minérios pela iniciativa privada. Abaixo, selecionamos duas matérias publicadas pelo O Globo para você entender melhor o caso. Você também pode saber mais sobre o assunto na matéria do blog Nocaute.

  • Texto de Luciane Carneiro, publicado em O Globo:

‘Coordenador de políticas públicas do WWF Brasil, Michel de Souza diz que a extinção da Reserva Nacional de Cobre e Associados (Renca) coloca em risco as nove áreas protegidas que estão dentro dos limites da reserva.

 Qual é o significado da extinção da reserva?

Fazer esse tipo de movimento, de forma açodada, sem discussão, é muito perigoso. A área da reserva reúne nove áreas protegidas, incluindo unidades de conservação e terras indígenas. É um risco enorme para essas áreas. A Floresta Amazônica é nosso maior ativo. Neste momento de desespero e de crise, estão colocando em risco as áreas protegidas que se encontram dentro da reserva.

Como vê a escolha do governo de fazer isso por decreto?

É um risco tremendo dar esse tipo de sinalização por decreto, sem discutir com a sociedade. Abrir a reserva sem transparência nos preocupa muito. Por que um decreto? Por que isso não foi feito via projeto de lei, que exige audiência pública? A gente sabe a importância da mineração para a economia brasileira, mas é preciso saber o risco envolvido. Especialmente no momento em que se tenta também enfraquecer as regras de licenciamento ambiental.

Quais podem ser as consequências?

A corrida pela exploração pode gerar conflitos na região. Imagina um cenário de corrida ao ouro, qual pode ser o impacto? Pode haver uma corrida para a região. Como garantir que mesmo a exploração fora das áreas protegidas não traga consequências para o ambiente e para os povos da floresta? A decisão é uma catástrofe anunciada. Temos vários exemplos de contaminação mineral. Um rio contaminado coloca em risco os povos da floresta que vivem do consumo de peixe.

Que tipo de exploração mineral pode ocorrer?

É possível ter tanto a mineração em pequena escala, em garimpos, como grandes grupos internacionais. Mas como garantir que as grandes empresas de mineração sigam acordos de cooperação dos quais o Brasil não é signatário? Esses acordos preveem regras mais modernas de exploração, a gente sabe do altíssimo impacto da mineração. Mas como saber se as empresas vão cumprir no Brasil regras que seguem em seus países de origem? Há sempre o risco de tragédias como a de Mariana.’

  • Texto de Mirian Leitão, publicado em O Globo:

‘O país não aprendeu nada com a tragédia de Mariana? A decisão do governo de acabar com uma reserva ambiental na Amazônia, e permitir a mineração na área, levanta essa dúvida. O retrocesso ambiental do governo Temer escala cada vez mais.

O território liberado para exploração é do tamanho do Espírito Santo, uma extensão equivalente à da Dinamarca. Mesmo que o governo fiscalize as empresas autorizadas a operar as minas, não será possível acompanhar os grileiros, aventureiros, garimpeiros e outros grupos que vão se instalar no que antes era uma reserva ambiental. Assim avançará a destruição.

Nessa área, em plena Amazônia, há cinco reservas de proteção integral, onde não se pode fazer nada. Há, inclusive, duas reservas indígenas. Quatro áreas são de exploração sustentável, que exige plano de manejo. Esse é mais um retrocesso do governo Temer na questão ambiental. A decisão de encerrar a reserva foi tomada por decreto. Não houve discussão.

A tragédia de Mariana deixa lições; a mineração tem que ser muito controlada. Ela traz impactos irreversíveis.’

Fonte: O Globo.


 

 

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