Mercado de energia eólica no país supera 500 parques

E os ventos continuam soprando. Enquanto em 2016 mais de 54 GW foram acrescidos na capacidade instalada anual, a previsão global de 2017 era fechar um pouco menos de 60 GW – os números oficiais de 2017 ainda estão sendo analisados pelo Global Wind Energy Council (GWEC).

Na América Latina, o Brasil vem liderando o caminho, com recorde de capacidade e investimentos. A despeito da crise econômica e política atravessada por nosso país, tanto em 2016 como em 2017, a indústria eólica brasileira manteve o crescimento e superou a marca de 10 GW instalados em 2016 (índice que será lembrado na história do mercado eólico) assim como conquistou a marca de mais de 500 parques eólicos instalados em solos tupiniquins em 2017, o que representa cerca de 6.500 aerogeradores instalados e 12,7 GW de capacidade.

Tabela 1 – Capacidade acumulada global

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Fonte: Global Wind Energy Council (GWEC).

Tais números ainda continuam em destaque no cenário mundial, uma vez que contribuem para que o Brasil esteja novamente entre os dez maiores mercados em todo o globo: como o 5º país que mais adicionou energia eólica e o 9º com maior potência eólica instalada em 2016. Para efeitos de comparação, o investimento total no setor no período chegou a US$ 5,4 bilhões, de acordo com a ABEEólica (Associação Brasileira de Energia Eólica).

Tabela 2 – Top 10 de Capacidade Eólica Instalada Acumulada e Capacidade Eólica Nova em 2016

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Fonte: ABEEólica (Associação Brasileira de Energia Eólica).

Participação crescente na matriz elétrica nacional

O mercado de energia eólica havia fechado o ano de 2016 com uma contribuição de 7,1 % na matriz elétrica brasileira e, de acordo com a ABEEólica, em 02/01/2018 a participação já era de 8,2% – um acréscimo de 1,1% ao longo de 2017.

Tabela 3 – Matriz Elétrica Brasileira (GW)

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Fonte: ANEEL/ABEEólica (Associação Brasileira de Energia Eólica).

Abaixo, é possível visualizar tanto a evolução como a projeção da capacidade instalada brasileira ao longo dos anos – os dados futuros apresentados na Tabela 4 referem-se a contratos viabilizados em leilões realizados. Além disso, pode-se analisar a capacidade instalada atual e os respectivos parques instalados por Estado ao longo do último ano.

Tabela 4 – Evolução e Projeção da capacidade instalada (MW) e Capacidade Instalada & Número de Parques por Estado

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Fonte: ANEEL/ABEEólica (Associação Brasileira de Energia Eólica).

Segundo o Plano Decenal de Expansão de Energia 2026, realizado pelo Ministério de Minas e Energia, a expectativa é expandir a capacidade instalada para 25,8 GW até o final de 2026.

Caso a projeção se confirme, deverá corresponder a 12,5% do total da matriz elétrica. Desta forma, é possível mensurar uma ideia dos investimentos que devem ser realizados neste setor para que esta meta seja atingida – a região Nordeste deverá ficar com 90% da capacidade eólica total.

Energia que vem do céu

Aliás, há outros números interessantes que podemos destacar: em média, 18 milhões de residências por mês foram abastecidas pela força dos ventos e 20 milhões de toneladas de CO2 foram evitadas no último ano.

O futuro é altamente promissor. No entanto, é preciso atentar-se para alguns cuidados técnicos, pois normalmente as turbinas eólicas são intencionalmente posicionadas em locais sob condições extremas – o que exige um funcionamento isento de falhas, – além de conter rolamentos, engrenagens e lubrificantes.

Neste sentido, os lubrificantes de alta performance são necessários, visto que proporcionam um desempenho confiável, maior proteção dos componentes, aumento dos intervalos de manutenção, entre outros benefícios.

Portanto, escolher o lubrificante ideal para uma turbina eólica pode ser um grande desafio, uma vez que exige uma visão clara das condições operacionais do local, incluindo a distribuição do vento e o modo de operação.

O setor trilha o caminho para o futuro em meio aos desafios

Recentemente, o setor elétrico brasileiro apresentou preocupações em relação à crise hídrica com risco de racionamento de energia elétrica e com reservatórios em seus níveis históricos mais baixos, e o panorama ainda não é de total tranquilidade.

Em um país com forte dependência de energia hidrelétrica, baixos índices de afluência hidrológica podem representar um risco ao suprimento. Este cenário seria mais crítico se o Brasil não tivesse diversificado sua matriz de fontes renováveis nos últimos anos, com grande destaque para a ampliação da oferta de energia eólica.

Embora esteja em destaque, o setor eólico enfrentou fortes desafios devido à crise econômica e a redução na demanda de eletricidade – vale ressaltar que 2016 foi o primeiro ano em que não houve leilões desde 2009.

No final de 2017, mais precisamente em dezembro, houve o tão aguardado leilão de energia: juntos, os leilões A-4 e A-6 acrescentarão cerca de 4,5 gigawatts em capacidade à matriz brasileira, sendo 674,5 megawatts para entrega em 2021 e 3,8 gigawatts para conclusão em 2023, garantindo um fôlego para os próximos anos. Destes números, 1,45 GW referem-se à comercialização para o segmento eólico representando um investimento adicional de mais de R$ 8 bilhões.

Em suma, todos esses números demonstram o caminho de desenvolvimento trilhado pela energia eólica e, apesar de 2016 e 2017 não terem sido anos fáceis, devemos nos orgulhar pelas conquistas resultantes do empenho de toda a cadeia produtiva nacional.

O ano de 2018 aponta para uma retomada da economia e, com certeza, será um ano muito desafiador para o mercado eólico brasileiro, no qual três questões principais devem demandar um olhar atento a todos os envolvidos: o cenário político-econômico, a transmissão e o financiamento.

Publicado em Ambiente Energia.

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