Carro com cheiro de pastel

Percorrer 22 720 km de carro entre o Rio de Janeiro e Ushuaia, na Argentina, já é um desafio. Imagine fazer boa parte dessa jornada a bordo de um veículo com mais de 50 anos e movido a óleo de cozinha usado. Os professores Gilmar Guedes, Marco Aurélio Berao e Robson Macedo decidiram passar por essa experiência na companhia de um Mercedes-Benz 190 D Ponton 1958. “Percorremos um terço do trajeto, 8 mil km, com 400 litros de óleo usado”, diz o professor Gilson Guedes, dono do Mercedes. “O motor melhorou em 15% o desempenho com o combustível sustentável e também ficou mais econômico, com rendimento de 17 km/l, ante os 16 km/l que faz com o diesel”, afirma Guedes.

O carro recebeu adaptações para tornar possível a utilização do óleo vegetal. Ganhou um tanque auxiliar e um trocador de calor, pois a viscosidade do óleo de fritura é dez vezes maior que a do diesel. “Além de transformar um dejeto altamente poluente em combustível, o motoremite 10% menos carbono, diminui drasticamente a emissão de material particulado e zera a de enxofre”, diz Guedes, que conta que o único inconveniente é o cheiro de fritura que sai do escapamento: “Parece que estamos fritando pastel dentro do carro.”

Com o objetivo de coletar dados para futuras aulas, professores viajam 8 mil km com carro movido a óleo usado.
Com o objetivo de coletar dados para futuras aulas, professores viajam 8 mil km com carro movido a óleo usado.


Participaram do processo de coletagem do óleo usado 800 alunos do Colégio Estadual Brigadeiro Schorcht, no Rio de Janeiro. “A questão ambiental era uma forma de envolver os alunos no projeto”, diz o professor Robson Macedo.

O objetivo da viagem foi coletar dados para as aulas de biologia, filosofia e ensino religioso e também servir como motivação para os alunos perseguirem seus objetivos. “A ideia é que eles saibam que com força de vontade é possível realizar grandes sonhos”, diz Macedo.

Os docentes cumpriram o desafio. Caíram na estrada em 3 de janeiro e após 37 dias haviam passado por 29 cidades no Uruguai, na Argentina e no Chile. Com o sucesso da aventura, os professores começaram a desdobrar a viagem para fora das salas de aula. Estão nos planos um livro, um documentário e uma exposição multimídia com as fotos registradas na jornada. O trio também começou a organizar uma nova aventura, ainda mais ambiciosa, para daqui a dois anos. O destino não foi definido, mas o intuito é percorrer 100% do trajeto utilizando o combustível vegetal. “Vamos construir uma rede de coleta de óleo em parceria com escolas de outros estados e consulados para fazer uma expedição ecológica, do início ao fim”, diz Guedes.

Publicado em Planeta Sustentável.

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