Só chuva não basta e São Pedro não resolve

Desde outubro de 2012, as termelétricas brasileiras trabalham a todo vapor. A explicação oficial é que isso tem sido necessário para cobrir o que as hidrelétricas, afetadas pela falta de chuvas, não dão conta de produzir. Um estudo da PSR, consultoria especializada no setor elétrico, revela uma outra realidade. “O volume de chuvas nos últimos dois anos não foi baixo a ponto de diminuir tanto assim a geração das hidrelétricas”, diz Mario Veiga, presidente da PSR. “Ocorre que seus reservatórios estão esvaziando mais rapidamente do que era de esperar.” 0504_Seca blogue

Em outras palavras, a capacidade de geração das represas é hoje menor do que pensamos, algo que a volta da chuva não vai resolver. Os motivos para isso não estão claros – o assoreamento dos reservatórios, o desvio de água para irrigação e as perdas de eficiência nas turbinas são as principais hipóteses.

Outro problema: as termelétricas do país foram projetadas para funcionar de modo intermitente e atender às necessidades pontuais de energia. Quando ligadas por tempo demais, aumentam os custos com manutenção. São mais riscos para o setor elétrico.

AS HIDRELÉTRICAS ESTÃO SOB PRESSÃO

São as seguintes as hipóteses que podem explicar por que a capacidade de geração hidráulica está abaixo do esperado:

ASSOREAMENTO DOS RESERVATÓRIOS
As correntes dos rios podem ter depositado lama e sedimentos no fundo dos lagos das hidrelétricas, diminuindo o volume de água disponível para gerar energia

ROUBO DE ÁGUA
A água dos rios que deveria ajudar a encher os reservatórios pode estar sendo desviada ilegalmente para irrigação de terras agrícolas

PERDAS DE EFICIÊNCIA
As hidrelétricas mais antigas não costumam passar por testes para verificar a eficiência de seus equipamentos — e, com o tempo, elas podem ter se tornado menos produtivas

CONCLUSÃO
Mesmo que nos próximos anos as chuvas venham com força, a perda de capacidade das usinas hidrelétricas terá de ser levada em conta. Será preciso contar cada vez mais com a força das termelétricas para suprir a necessidade de energia do país. Com esses e outros problemas acumulados no setor elétrico, como o rombo financeiro das distribuidoras, a única certeza é que a conta de luz vai ficar mais cara.

Publicado em Planeta Sustentável.

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